21.1.12

mostra uma tatuagem que te faço uma música.

isso vai acabar mal.

mostra uma cicatriz que te faço uma poesia.

Façamos assim: Eu corto sua carne, eu tatuo meu nome.

Tá feita a poesia.
teve o tempo da palavra poesia som
teve o tempo da palavra poesia precipício
teve o tempo da palavra poesia carne

tem o tempo da palavra sem poesia, sem carne, sem palavra.

ela pré-precipício principia uma canção do acaso:

se pular, lhe segura a mão uma palavra ilusão.

e assim vai voando a menina, que pula do acaso pro chão e nunca cai.

-Eu vou embora, me dá um abraço.
-Tchau
- Só vou embora se você me der um abraço.
-Então você não vai embora.

4.12.10

o meu amor não é um coração.


é um borrão.
minha alma é mais como uma janela aberta
como mais uma janela aberta onde o vento tremula a cortina
Não fecha!

...que enquanto estiver aberta, minha solidão fica toda estrelada.
Estou me adicionando a estas literaturas? Duvidou ela enquanto, sozinha na banheira de um quarto de motel, folheava a amarelinha de Cortázar, cuidadosa em não deixar respingar espumas nem no céu nem no inferno.